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22/08/2011

Dois pesos e duas medidas: o aborto perdoado em Madri

Ivone Gebara Escritora, filósofa e teóloga
Via: Adital
É com muito constrangimento que muitas mulheres católicas leram a notícia publicada em vários jornais nesse último final de semana de que a Arquidiocese de Madri com aprovação papal autorizou a concessão do perdão e indulgência plenária às mulheres que confessarem o aborto por ocasião da visita do papa. A impressão que tivemos é que o papa, o Vaticano e alguns bispos gostam de brincadeiras de mau gosto com as mulheres. Não sabemos em que mundo esses homens vivem, quem pensam que são e quem pensam que somos!
Primeiro, concedem o perdão a quem pode viajar para assistir a missa do papa e passar pelo "confessionódromo” ou pelo conjunto de duzentos confessionários brancos instalados numa grande Praça pública de Madri chamada "Parque do Retiro”. O perdão deste "pecado” tem local, dia e hora marcada. Custa apenas uma viagem a Madri para estar diante do papa! Quem não faria o esforço para tão grande privilégio? Basta ter dinheiro para viajar e pagar a estadia em algum hotel de Madri que o perdão poderá ser alcançado. Por isso, nos perguntamos: que alianças a prática do perdão na Igreja tem com o capitalismo atual? Como se pode viver tal reducionismo teológico e existencial? Quem está tirando benefícios com esse comportamento?
Segundo, têm o desplante de afirmar que o perdão deste "crime hediondo” como eles costumam afirmar, é dado apenas por ocasião da visita do papa para que nessa mesma ocasião as fiéis pecadoras obtenham "os frutos da divina graça”, confessando o seu pecado. Como entender que uma falta é perdoada apenas quando a autoridade máxima está presente? Não estariam reforçando o velho e decadente modelo imperial do papado? Quando o Imperador está presente tudo é possível até mesmo a expressão da contradição em seu sistema penal.
Não quero retomar os argumentos que muitas de nós mulheres sensíveis às nossas próprias dores temos repetido ao longo de muitos anos numa breve reflexão como esta. Mas esse acontecimento papal madrilenho, infelizmente, só mostra mais uma vez, um lado ainda bastante vivo no Vaticano, ou seja, o lado das querelas medievais em que questões absolutamente sem peso na vida humana eram discutidas. E mais, demonstra desconhecer as dores femininas, desconhecer os dramas que situações de violência provocam em nossos corpos e corações. Ao conceder o perdão ao "crime” do aborto na linguagem que sempre usaram, de forma elitista revelam o rosto ambíguo da instituição religiosa capaz de ceder ao aparato triunfalista quando sua credibilidade está em jogo. Podem abençoar tropas para matar inocentes, enviar sacerdotes como capelães militares em guerras sempre sujas, fazer afirmações públicas em defesa da instituição condenando pobres e oprimidas, abrir exceções à regra de seus comportamentos para atrair jovens alienados dos grandes problemas do mundo ao rebanho do Papa. A lista dos usos e costumes transgressores de suas próprias leis é enorme...
Por que reduzir a vida cristã a pão e circo? Por que dar um espetáculo de magnanimidade em meio à corrupção dos costumes? Por que criar ilusões sobre o perdão quando o dia a dia das mulheres é cheio de perseguições e proibições às suas escolhas e competências?
Somos convidadas/os a pensar no aspecto nefasto da posição do papa e dos bispos que se aliaram a ele. O papa não concedeu perdão e indulgência total ou plena "urbe et orbe”, isto é, para todas as mulheres que fizeram aborto, mas apenas àquelas que se confessaram naquele momento preciso e por ocasião da visita do papa à Espanha. Não é mais uma vez a utilização das consciências especialmente das mulheres para fins de expansionismo de seu modelo perverso de bondade? Não é mais uma vez abrir concessões obedecendo a uma lógica autoritária que quer restaurar os antigos privilégios da Igreja em alguns países europeus? Não é uma forma de querer comprar as mulheres confundindo-as diante da pretensa magnanimidade dos hierarcas?
Será que as autoridades constituídas na Igreja Católica e de outras Igrejas são ainda cristãs? São ainda seguidoras dos valores éticos humanistas que norteiam o respeito a todas as vidas e em especial à vida das mulheres?
Creio que mais uma vez somos convocadas/os a expressar publicamente nosso sentimento de repúdio à utilização da vida de tantas mulheres como pretexto de magnanimidade do coração papal. Somos convidadas/os a tornar pública a corrupção dos costumes em todas as nossas instituições inclusive naquelas que representam publicamente nossas crenças religiosas. Somos convidadas/os a ser o corpo visível de nossas crenças e opções.
Fazendo isso, não somos melhores do que ninguém. Somos todas pecadoras e pecadores capazes de ferir uns aos outros, capazes de hipocrisia e mentira, de crueldade e crueldade refinada. Mas, também somos capazes de dividir nosso pão, de acolher a abandonada, de cobrir o nu, de visitar o prisioneiro, de chamar Herodes de raposa. Somos essa mistura, expressão de nosso eu, de nossos deuses, dos espinhos em nossa carne convidando-nos e convocando-nos a viver para além das fachadas atrás das quais gostamos de nos esconder.

Chile: tensão nas grandes alamedas, tensão na memória

Como se fosse preciso atualizar a contabilidade do horror, o governo chileno acaba de divulgar uma nova cifra oficial dos mortos e desaparecidos – um neologismo criado na América do Sul para se referir aos assassinados pelo terrorismo de Estado cujos cadáveres sumiram para sempre – durante a ditadura do general Augusto Pinochet, que durou de 1973 a 1990: 3.065. Com isso, o total de vítimas – entre presos, seqüestrados, torturados, executados e desaparecidos – chega a exatos 40.018. Não são contabilizados os exilados, nem os familiares das vítimas. O número aparece no relatório de 60 páginas entregue ao presidente Sebastián Piñera na quinta-feira, 18 de agosto, por uma comissão integrada por advogados e especialistas em direitos humanos que trabalharam durante um ano e meio com rigor extremo. Tão extremo, que associações de vítimas e familiares protestaram de maneira contundente: dizem ser impossível que, de um total de 32 mil novas denúncias, apenas 9.800 tenham sido consideradas válidas.
O primeiro levantamento sobre vítimas da ditadura chilena começou a ser preparado em 1991, quando foi criada a primeira Comissão da Verdade e Reconciliação. O chamado "Relatório Rettig" limitou-se a contabilizar execuções e desaparições, e chegou a 2.279 pessoas. Em 2003 foi criada a Comissão Valech, que leva o nome do valioso bispo católico que moveu céus e terras para chegar à verdade sobre o terror dos tempos de Pinochet. O objetivo da comissão era ampliar o exame do horror. Num primeiro relatório, chegou-se a 28.459 casos de prisões ilegais, tortura, execuções e desaparecimentos. O religioso morreu durante o trabalho do grupo, que pediu mais prazo para chegar a um segundo relatório – esse, cujos resultados foram agora divulgados de maneira discretíssima pelo governo.
O tema é perigoso porque ainda paira entre os militares chilenos um incômodo mal-estar provocado por esse mergulho no passado sombrio do país. E também porque o anúncio coincide com um período de profundas turbulências enfrentadas pelo primeiro presidente de direita eleito desde o fim da ditadura. Os protestos dos estudantes que se repetem há quase quatro meses desgastaram de maneira cruel a imagem de Piñera. Não há solução à vista, e cresce a cada semana o apoio de amplos setores da população às reivindicações dos jovens, que agora marcham acompanhados por professores, funcionários públicos, donas de casa, profissionais liberais e trabalhadores.
Exigem educação pública gratuita (no Chile, as universidades públicas passaram a cobrar mensalidade na ditadura, e ninguém conseguiu reverter esse quadro; além disso, as universidades privadas, proibidas de ter lucro, ganham milhões graças à subvenção que recebem do Estado), e Piñera não teve idéia melhor que responder a eles dizendo ‘isso, todo mundo quer, mas nada é de graça nessa vida’.
Tudo isso acontece no momento em que se torna cada vez mais claro que o tão decantado modelo chileno, que deveria ser modelo para toda a América Latina – louvado pelos grandes organismos financeiros internacionais, pela direita em geral e pelos defensores do neoliberalismo em particular – revela sua verdadeira face.
Que o Chile vive um auge econômico, ninguém duvida. Mas os que se beneficiam dele estão longe de ser uma parcela ampla da população. Ao contrário: as desigualdades sociais são mais altas que a cordilheira dos Andes, mais evidentes que as montanhas nevadas e mais amplas que as grandes alamedas de Santiago.
De toda a riqueza produzida pelo Chile, 55% ficam nas mãos dos 20% mais ricos da população. Entre 2006 e 2009, a renda dos trabalhadores cresceu 1%. A dos mais ricos, 9%. Em 2006, 13,7% da população vivia na pobreza. Três anos depois, os pobres passaram a ser 15,1% - justamente no período em que a economia mais cresceu.
A estabilidade política fez do Chile o paraíso e a alegria dos investidores estrangeiros. Durante anos, o país foi considerado o mais perfeito modelo das bondades do neoliberalismo.
Ninguém parecia notar os casos de jovens que terminam a faculdade pública e depois levam dez anos pagando o financiamento que receberam para estudar. Ninguém notou o aumento da pobreza, os abismos sociais se abrindo cada vez mais.
É contra isso que os chilenos protestam. E também contra os engodos e miragens de um modelo que começou a ser desmascarado.
Por trás do louvado milagre existe uma verdade: a de uma segregação social perversa e persistente, que agora explodiu e chega às ruas e alamedas de Santiago.
Eric Nepomuceno é jornalista e escritor. Foi correspondente pelo Jornal da Tarde na Argentina e pela Veja na Espanha e México. Trabalhou na Rede Globo como editor e foi cronista do Caderno B, do Jornal do Brasil. Atualmente escreve artigos e reportagens no Brasil, Espanha, México e Uruguai e em jornais como: El País, de Madrid, e Página 12, de Buenos Aires.
* Artigo originalmente publicado na
Carta Maior
By: Opera Mundi

A greve dos professores é justa?

Frei Gilvander Luís Moreira, O.Carm
Via: Adital
No dia 16 de agosto de 2011, à tarde, participei de mais uma Grande Assembleia Geral das/os professoras/res da Rede Estadual de Educação do Estado de Minas Gerais, na Praça da Assembléia Legislativa, em Belo Horizonte, MG, Brasil. Essas trabalhadoras/se estão em greve há 70 dias (desde 08/06/2011) e decidiram manter a greve por tempo indeterminado. Era um mar de educadores! Cabe então a seguinte pergunta: essa greve é justa ou é condenável até mesmo em vista da longa duração?
Vejamos. Em Minas, há 3.700 escolas estaduais. Professor/a da Rede Estadual de Educação de Minas Gerais, com nível médio de escolaridade ganha, como vencimento básico, R$369,00; e com licenciatura plena, R$550,00. Diz o governo: "Além do vencimento básico, há gratificações e subsídios”. De acordo com o Ministério da Educação, o Piso Salarial Nacional, instituído pela Lei Federal 11.738/08, é, hoje, R$1.187,00 e, de acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação –CNTE-, deveria ser R$1.597,87. Relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado comprovou que o Governo de Minas não investe o percentual constitucional de 25%(1) em educação pública. Na ADIN(2) 3.106, o Supremo Tribunal Federal – STF - reconheceu a inconstitucionalidade da compulsoriedade da contribuição descontada no contracheque das/os professoras/res de 3,2% (assistência médica) do IPSEMG(3). Em 2001, o Estado de Minas investia 30,57% em educação e em 2010 este percentual caiu para 16,08%.
O STF, em 06/04/2011, ao julgar a ADIN 4.167 definiu a composição do Piso Salarial: vencimento básico inicial da carreira do professor de nível médio de escolaridade, excluídas quaisquer vantagens e gratificações e deve ser aplicada uma proporção aos demais níveis e cargos da carreira. Logo, o governo de Minas está desrespeitando a Lei Federal 11.738/08, pois não está pagando o Piso Salarial Nacional.
A luta dos professores é pelo Piso Salarial Nacional: se não R$1.597,87, pelo menos R$1.187,00. Piso é piso –o mínimo-, não é teto. O governador de Minas, Sr. Antonio Anastasia, (PSDB + DEM) insiste em manter –fala até em aumentar– o subsídio, mas subsídio é subsídio, é ajuda complementar que pode ser retirada a qualquer momento.
O ponto dos grevistas foi cortado e o Governo mandou contratar professores, de forma precária, para substituir os educadores no 3º ano do segundo grau.
Em vez de investimento em políticas sociais públicas - moradia popular, reformas agrária e urbana, saúde pública, educação pública, preservação ambiental, economia popular solidária, transporte coletivo público, os governos Federal e Estadual estão canalizando os recursos públicos para a repressão, em nome da defesa social. Prisões e mais prisões estão sendo construídas, verdadeiras masmorras, campos de concentração. A cada dia cegonhas lotadas descarregam viaturas policiais. Policiais por todo lado. É a militarização da sociedade. Segue-se um projeto de encarceramento de massas – pobres, negros e jovens(4). Em João Pinheiro, MG, cidade de 70 mil habitantes, por exemplo, após a construção de uma penitenciária com capacidade para 193 presos, muitos professores da Rede Estadual de Educação fizeram concurso para serem agentes penitenciários. Um professor, que a contragosto se tornou agente penitenciário, disse: "como professor não tinha mais condições de manter minha família. Como agente penitenciário, ganho acima de dois mil reais por mês”.
A greve está se fortalecendo por vários motivos. O Sindicato dos Trabalhadores da Educação –SINDUTE– está muito bem organizado. A remuneração injusta está causando grande sofrimento para as/os educadoras/res e para as suas famílias. Dezenas de outros sindicatos e dezenas de movimentos sociais populares, do campo e da cidade, engajaram na luta dos professores. Pelo exposto acima, percebo que a greve das/os professoras/res da Rede Estadual de Educação de Minas é justa e legítima.
Governador Antonio Anastasia, o ano letivo de 2011 dos estudantes será perdido? Se isso acontecer está claro que a responsabilidade não será dos professores que lutam justamente. A culpa é do Governo de Minas Gerais, contraditoriamente representado por um professor!
Belo Horizonte, 18 de agosto de 2011
Notas:
(1) Cf. Constituição Federal, art. 212.
(2) Ação Direta de Inconstitucionalidade.
(3) Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais.
(4) Cf. o Filme Tropa de Elite II.

Imprensa não desiste da intriga Dilma x Lula

blog do zé
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Lula e Dilma
A velha mídia não toma jeito e não desiste. Continua firme em seu objetivo - a la Estadão com editorial ontem - de separar a presidenta Dilma Rousseff de seu antecessor Lula, dividir a base do governo e criar um clima de mar de lama no país, com a generalização de denúncias e acusações.
Na entrevista que concedeu ao O Globo, nesse domingo, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) não deixou de colocar sua colher no assunto da moda de nossa imprensa, no seu novo factóide (como foi o 3º mandato), essa história de que o ex-presidente Lula é candidato e está em campanha para voltar ao Palácio do Planalto em 2014.
O senador vai na mesmíssima linha do principal editorial do Estadão desse domingo "Dedicação exclusiva a 2014". Para variar é contra o ex-presidente. O jornalão da família Mesquita considera que fazendo política 24h por dia, ele deixa claro que é candidatíssimo a presidente da República em 2014. Qual o problema dele fazer política? Se fosse candidato mesmo, não pode? Para o Estadão, não.
Querem que o ex-presidente Lula fique em casa, ou viajando pelo exterior, enquanto todos os ex-presidentes, a começar por FHC, fazem politica dia e noite. Sonham com uma ruptura entre os presidentes Lula e Dilma. Torcem e apostam suas fichas nisso.
A busca de porta-vozes para a sua causa
Na entrevista ao O Globo, o senador Jarbas Vasconcelos faz malabarismos verbais impunemente e também entra no coro nacional dos derrotados três vezes pelo PT e pelo ex-presidente - em 2002, 2006 e 2010 quando ele elegeu sua candidata, a presidenta Dilma Rousseff.
Vejam vocês, a mesma mídia que na campanha eleitoral do ano passado criou e sustentou, durante meses, o escândalo do vazamento de informações sigilosas da família de José Serra e de integrantes do PSDB, na semana passada e nas anteriores recentes, estimulou e aplaudiu o vazamento de informações sigilosas e silenciou frente à violência contra investigados.
Quase aplaudiu, até, a publicação de suas fotos sem camisa e o uso arbitrário de algemas em prisões sem base legal, violadoras da lei e manifestamente um abuso de autoridade. Coerência, como se vê, passa mesmo longe de nossa imprensa. Leiam também o post " A moralidade de pé de barro de um novo Carlos Lacerda".Foto: Campanha Dilma Rousseff.

Morales acusa Estados Unidos de apoiarem marcha indígena contra estrada

O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou a Embaixada dos Estados Unidos em La Paz de promover uma marcha de representantes indígenas contra a construção de uma estrada que irá dividir a maior reserva florestal boliviana. Ele embasou a denúncia, feita no domingo (21/08) na televisão estatal, em um registro de conversas telefônicas dos meses de junho e julho entre os dirigentes indígenas e o funcionário da embaixada Eliseo Abelo, dizendo que hoje pediria explicações à representação diplomática norte-americana sobre o caso.
O mandatário também revelou que analisaria o papel da Agência Internacional para o Desenvolvimento (USAID, na sigla em inglês) dos Estados Unidos dentro do país, já que suspeita de terem, assim como a embaixada, incentivado a marcha.
Morales disse que já em 2005 a representação diplomática dos Estados Unidos tinha planos de enfrentar os produtores da folha de coca e os camponeses com o auxílio dos indígenas provenientes da região conhecida como "tierras bajas".
O presidente ainda reiterou sua negativa em dialogar pessoalmente com o setor indígena, descartando modificar o projeto que motivou o conflito. Segundo Morales, cercar o parque pela esquerda ou pela direita iria encarecer o projeto.
O chefe de Estado boliviano indicou recentemente o secretário da Presidência, Carlos Romero, para negociar com os manifestantes, alegando falta de tempo. O mandatário ainda revelou que teria pedido para que Romero fosse "imediatamente" encontrá-los.
Dirigentes da Confederação de Povos Indígenas do Oriente da Bolívia (Cidob), no entanto, disseram na última sexta-feira que tratariam sobre o fim dos protestos apenas com o presidente.
Os indígenas são contra a construção de uma estrada que irá dividir o Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis). Os aproximadamente 90 mil indígenas das etnias yuracaré, moxeño, chimane e trinitaria que moram no parque nacional e vivem da caça e da pesca temem que a rodovia destrua suas culturas e seu habitat.
O projeto tem custo de 410 milhões de dólares (cerca de 654 milhões de reais), dos quais 350 milhões de dólares  (cerca de 558 milhões de reais) foram concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) do Brasil, e sua construção está a cargo da empreiteira brasileira OAS, que venceu a licitação em 2008.
A marcha, que teve início no dia 15, é composta por cerca de 1.200 pessoas, entre elas muitas mulheres e aproximadamente 100 crianças, e percorrerá 600 quilômetros até a capital boliviana, onde deve chegar após aproximadamente um mês de caminhada.
Morales, o primeiro presidente na história do país de origem indígena, afirmou que expulsaria do parque os assentamentos ilegais que se estabeleceram na região durante os últimos anos, mas que sua gestão tentará preservar a riqueza natural do local.
By: Opera Mundi

O ‘corredor da morte’ dos pobres

Fr. Marcos Sassatelli
Frade Dominicano. Doutor em Filosofia e em Teologia Moral. Prof. na Pós-Graduação em DD.HH. (Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil/PUC-GO). Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arq. de Goiânia. Admin. Paroq. da Paróquia N. Sra. da Terra
Via: Adital
No dia 7 de agosto/11, a imprensa local publicou uma reportagem sobre a saúde pública, com os títulos "Mortes na fila da UTI” (O Popular, 1ª página) e "A infinita agonia na fila das UTIs” (Ib. p. 3), que nos deixou a todos/as estarrecidos/as. Diz a reportagem: "A crise da falta de UTIs se agrava em Goiânia. São quase 3 pessoas mortas por dia esperando uma vaga. De 1º de julho a 3 de agosto, 94 pessoas morreram na fila por uma UTI nos Cais (Centros de Atendimento Integral à Saúde) ou no Hugo (Hospital de Urgências), em Goiânia” (Ib. 1ª página).
Em 9 de julho/11 já tinha sido noticiado que 61 pessoas morreram no mês de junho pelo mesmo motivo, uma média então de 2 pessoas por dia (Cf. Fr. Marcos Sassatelli. As mortes do sistema público de saúde: quem vai responder por elas? Diário da Manhã, Opinião Pública, p, 3; www.adital.com.br- 12/07/11; www.correiocidadania.com.br- 14/07/11). De um mês para o outro, a situação piorou e houve um aumento de 54% nas mortes. É como se Goiânia estivesse em permanente estado de guerra. Talvez, nem nesse caso haveria tantas mortes. A fila de espera das UTIs é -podemos dizer- o "corredor da morte” dos pobres, condenados por um "sistema econômico iníquo” (Documento de Aparecida - DA, 385). Que barbárie!
Ao ler a reportagem - acima citada - sobre a situação de calamidade em que se encontra a saúde pública, mesmo já tendo publicado 3 artigos sobre o assunto, senti-me impelido a fazer, mais uma vez, algumas reflexões e considerações.
Frente a essa realidade perversa, o que mais assusta é o silêncio e a indiferença da sociedade. Aceita-se a situação como natural, como normal. Tomam-se, às vezes, algumas medidas para amenizar a situação (medidas paliativas), mas nunca para resolvê-la definitivamente. A sociedade não se sensibiliza mais, perdeu a capacidade da indignação ética e o interesse pela luta em defesa dos direitos humanos. Parece querer dizer: salve-se quem puder!
Depois da publicação da reportagem, o secretário de Saúde do Município de Goiània, Elias Rassi convocou uma reunião com seus auxiliares para avaliar a questão das UTIs. Em entrevista à imprensa o secretário, embora reconhecendo que a situação das UTIs na capital ainda não é a ideal, afirma: "Nenhum paciente fica sem atendimento” (O Popular, 08/08/11, p. 7). O problema, senhor secretário, não é só o atendimento (qualquer tipo de atendimento para ficar livre da importunação), mas o "atendimento adequado, com qualidade, no tempo certo” (Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, Art. 3, Parágrafo único). Se o paciente chega num centro de saúde, precisando com urgência de uma vaga na UTI, atender significa encaminhá-lo imediatamente para uma vaga na UTI e não, por exemplo, atender dando um analgésico para aliviar a dor e iludir o paciente, que se encontra no corredor da morte. Isso significa lavar as mãos e é crime de omissão de socorro.
Os secretários de Saúde Elias Rassi (Município de Goiânia) e Antônio Faleiros (Estado de Goiás) - para tentar justificar ou amenizar a situação de carência e abandono em que se encontra a saúde pública - falam de aumento da população e de dificuldades técnicas para estruturar leitos de UTI, para contratar médicos e para comprar equipamentos. Muitas palavras e poucos fatos. A cada dia que passa, a situação piora. O que falta é vontade política. A saúde não é prioridade para os nossos governantes, menos ainda, prioridade absoluta.
Infelizmente, segundo o depoimento dos próprios médicos, os Cais não estão em condições de receber pacientes em situação de urgência e emergência, e encaminhá-los para a UTI. Até o material básico (como luvas, seringas, sabonetes e, sobretudo, medicamentos) é racionado e, muitas vezes, falta (Cf, Ib.).
Diante dessa situação da saúde pública, que é um crime institucionalizado contra a vida do povo, quais as medidas que o Ministério Público Estadual está tomando? Não deveriam o Poder Público Estadual e Municipal serem responsabilizados judicialmente pelas 94 pessoas que - por omissão de socorro e falta de assistência - morreram à míngua no mês de julho/11, e pelas inúmeras outras mortes?
O Código Penal reza: "Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo de vida; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de 01 (um) a 6 (seis) meses, ou multa” (Art. 135). "A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte” (Parágrafo único).
É bom que se diga a verdade: As 94 mortes do mês de julho e muitas outras ocorreram não por falta de vagas nas UTIs, mas por falta de assistência e por omissão de socorro. As vagas nas UTIs só não existem para quem depende da Saúde Pública (os pobres), para quem tem o dinheiro para pagar sempre tem vaga. Será que a vida humana de quem tem dinheiro vale mais do que a vida humana de quem não tem dinheiro?
Do ponto de vista jurídico e, sobretudo, do ponto de vista ético, em casos de urgência e emergência, os hospitais e os centros de saúde - públicos ou privados - são obrigados a socorrer a pessoa doente e a dar a assistência necessária para salvar sua vida, tenha ou não tenha dinheiro, tenha ou não tenha documentos. E, se for necessário, o Estado e o Município são obrigados a encaminhar o paciente para o hospital mais próximo e a arcar com as despesas.
Não adianta fazer malabarismos jurídicos para saber o que se entende por "omissão de socorro” e como ela se caracteriza. Basta o bom senso e um mínimo de consciência ética.
Será que o Poder Legislativo Estadual e Municipal não poderiam aprovar uma lei que aplique o Código Penal à nossa realidade, que regulamente os casos nos quais não pode haver de forma alguma omissão de socorro, e que obrigue o Estado e o Município a se responsabilizarem em caso de atendimento de urgência e emergência? O que não pode continuar é essa "matança diária e mensal”.
O Estado de Goiás pretende terceirizar (leia-se: privatizar) o Hugo de Goiânia e de Aparecida de Goiânia, como parte da política de desestatização das Unidades Públicas de Saúde, por meio de contrato de gestão (sem licitação) com Organizações Sociais (OSs). Como já disse em outro artigo, no lugar de buscar a privatização da saúde pública, para que empresas particulares (chamadas aqui disfarçadamente de Organizações Sociais) se enriqueçam à custa do dinheiro público e do sofrimento dos pobres, o Poder Público - Federal, Estadual e Municipal - deveria se preocupar em cumprir a Constituição Federal, que reza: "A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (Art. 196).
Reafirmando e explicitando o que diz a Constituição Federal, a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde - editada pelo Ministério da Saúde em março de 2006 e revista em agosto de 2009 - reza: "Toda pessoa tem direito ao acesso a bens e serviços ordenados e organizados para garantia da promoção, prevenção, proteção, tratamento e recuperação da saúde” (Art. 2). "Toda pessoa tem direito ao tratamento adequado e no tempo certo para resolver o seu problema de saúde” (Art. 3). "É direito da pessoa ter atendimento adequado, com qualidade, no tempo certo e com garantia de continuidade do tratamento” (Parágrafo único).
Diz ainda a Carta: "Toda pessoa tem direito ao atendimento humanizado e acolhedor, realizado por profissionais qualificados, em ambiente limpo, confortável e acessível a todos” (Art. 4). "É direito da pessoa, na rede de serviços de saúde, ter atendimento humanizado, acolhedor, livre de qualquer discriminação, restrição ou negação em virtude de idade, raça, cor, etnia, religião, orientação sexual, identidade de gênero, condições econômicas ou sociais, estado de saúde, de anomalia, patologia ou deficiência” (Parágrafo único). È só uma questão de vontade política.
"Vida em primeiro lugar”! "Pela vida grita a Terra... Por direitos, todos nós!” (Tema e Lema do 17º Grito dos/as Excluídos/as/11, a nível nacional). "Contra a corrupção, a violência e a morte, grita a vida” (Lema do 17º Grito dos/as Excluídos/as/11, a nível regional - GO, destacando a questão do transporte, da saúde e da segurança pública). Concentração na Praça A (das 8 às 9h, do dia 7 de setembro), passando em frente ao Cemitério Santana, e terminando (por volta de meio-dia) na Praça do Trabalhador. Participemos! A presença de todos/as, de cada um/a faz a diferença!

Treinamentos militares precisam se modernizar. E já!

blog do zé
Mais um lamentável e inadimissível episódio revela os excessos cometidos em algumas unidades das Forças Armadas durante o treinamento de jovens militares. Ontem, 57 praças da Marinha, que participavam do Curso de Formação de Fuzileiros, foram internados no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio, com sintomas de síndrome respiratória, dentre eles dor de cabeça, febre, coriza e tosse.
Dois destes jovens estão na UTI e apresentam insuficiência renal e respiratória. A suspeita é que contraíram uma bactéria durante o treinamento. Médicos da unidade hospitalar militar e da Secretaria Municipal da Saúde investigam as causa dos sintomas. Já os familiares denunciam maus tratos e garantem que muitos desmaiaram e foram impedidos de beber água durante os exercícios.
Essas verdadeiras torturas as quais são submetidos os jovens militares são inadimissíveis. Forças Armadas e Polícias militares precisam empreender mudanças já, antes que seja tarde. Está mais do que na hora de pormos um fim à prática de exercícios físicos exagerados nessas instituições. Elas precisam de uma grande reforma interna, tanto em suas escolas, quanto nos sistemas de ensino, particularmente em seus currículos.
Treinamento e currículos precisam se modernizar

Orgãos como o Ministério da Educação (MEC), a Ordem dos Advogados do Brasil e o Congresso Nacional têm muito a contribuir com esta reforma nas Forças Armadas, da mesma forma que as assembléias legislativas no caso das PMs.
É urgente uma reforma dos códigos legais, regulamentos internos e normas disciplinares dessas instituições, evidentemente, sem que com isso se esteja fazendo qualquer pregação quanto à quebra de hierarquia.
O que não podemos é assistir a episódios como esses que revelam grande descontrole e falta de disciplina por parte dos responsáveis pelo treinamento e, também, falta de respeito pela integridade física e psíquica desses jovens.

Campanha utiliza futebol para chamar atenção para a violência contra mulher

Karol Assunção Jornalista da Adital
Via: Adital
Utilizar a linguagem do futebol para chamar a atenção para a violência contra a mulher. É com esse objetivo que organizações de defesa dos direitos das mulheres promovem a campanha: A violência contra as mulheres não te faz campeão. A iniciativa, realizada na Colômbia, aproveita campeonatos e eventos esportivos para alertar à população sobre os casos de violência de gênero.
Promovida por Vamos Mujer, de Medellín, La Casa de la Mujer, de Bogotá, Associação Santa Rita para a Educação e Promoção - Funsarep, de Cartagena, Secretaria das Mulheres de Medellín e Instituto de Recreação e Esporte (Inder), a campanha trabalha com elementos do futebol para alertar homens e mulheres sobre a violência de gênero.
"Esta campanha é uma proposta que pretende encontrar outras alternativas que convidem para a solução desta problemática. A considerarmos como uma maneira de entrar em outros registros, através das práticas cotidianas, que desde outros cenários, como os esportivos, e neste caso talvez o mais massivo no planeta, como é o futebol, possamos chegar a outras vozes que se unam a nossa equipe, sem importar a cor de sua camisa, para erradicar a violência em todas suas formas, para que seja possível o direito de uma vida sem violências para as mulheres”, destaca o material da corporação Vamos Mujer.
A organização lembra que são considerados atos de violência contra a mulher ações que violem a liberdade, a dignidade e a integridade física e psicológica. Com base em informações do Instituto Nacional de Medicina Legal, Vamos Mujer aponta que, no ano passado, ocorreram 77.545 casos de violência intrafamiliar no país. Desses, 78% tiveram as mulheres como vítimas. Além disso, segundo a corporação, dos 50.828 casos de violência entre casais registrados em 2010, 44.854 resultaram em agressões contra as mulheres.
Rechaço

A violência contra a mulher levou até Hernán Darío Gómez, técnico da seleção colombiana de futebol, a renunciar o cargo. No dia 7 deste mês, Darío Gómez, também conhecido como "Bolillo”, agrediu uma mulher em um bar em Bogotá, na Colômbia.
Em um comunicado, o técnico se disse envergonhado e pediu desculpas pelo ocorrido. Além de renunciar o cargo, iniciou um tratamento psicológico. Ainda não se sabe se a Federação Colombiana de Futebol aceitará ou não a renuncia do treinador.
Em nota, organizações sociais e feministas da Colômbia rechaçaram a atitude do técnico da seleção e comentaram sobre a resposta da sociedade diante da agressão. "Celebramos que, neste caso, a sociedade tenha se manifestado sancionando com toda a clareza a conduta violenta e machista de um homem público, que havia se convertido em um importante referente para as gerações jovens. Este repúdio geral conduziu uma renuncia que consideramos justa”, destacou comunicado de Funsarep.
Para mais informações sobre a campanha, acesse: http://www.vamosmujer.org.co/

Descaso, a marca da gestão tucana também na Educação

blog do zé
Image O descaso com a Educação no Estado de São Paulo beira o limite do suportável. Alunos dividem assentos e se apertam em salas superlotadas nas escolas estaduais do ensino básico. A conclusão é de um levantamento da Folha de S. Paulo, com base no Censo Escolar 2010. A matéria foi publicada hoje e traz um pouco da revolta - mais do que justa - desses adolescentes.
Segundo a pesquisa, mais de 60% das escolas estaduais paulistas de ensino básico possuem pelo menos uma série com sala lotada. E, pior, em 64% delas, a superlotação atinge mais de uma turma. Ao todo, segundo a Secretaria de Educação - pelo menos, ela reconhece o problema - 890 mil estudantes frequentam salas com mais alunos do que o recomendado pelo próprio governo.
Imaginem vocês a gravidade da situação! O ensino básico - composto pelo fundamental e médio - é de responsabilidade do governo estadual. Já são mais de 20 anos de governos do PSDB em São Paulo e o que vemos é o retrato do mais crasso descaso.
O recomendado é que do 1º ao 5º ano do fundamental, o número por sala chegue no máximo a 30 alunos; do 6º ao 9º ano do fundamental a 35; e no ensino médio (o antigo colegial), no máximo a 40.
Resposta tucana: faltam terrenos para construir escolas

O levantamento da Folha aponta que a superlotação é mais crítica nos cinco primeiros anos do fundamental (30% de turmas superlotadas). Prova total da incapacidade de gestão administrativa do PSDB no Estado. Em duas décadas no poder, nada de construir novas salas de aula.
Das 3.477 novas salas previstas entre os anos 2008 e 2010 (governo José Serra), pouco mais de 25% foram construídas - apenas 903 foram entregues. O governo Alckmin alega "falta de terrenos".
Com 45 a 50 alunos nas salas, como esses jovens poderão se concentrar? Como os professores poderão desenvolver seu trabalho e atrair nossas crianças e adolescentes para o aprendizado? É lamentável o abandono da escola pública por parte dos governos tucanos em São Paulo.
Jovens: precisamos deles para alavancar desenvolvimento

Ainda mais se pensarmos nas demandas do Brasil hoje e do futuro que tem na mão de obra qualificada um dos seus itens primordiais. O papel desses para alavancar nosso desenvolvimento é fundamental.
Uma escola forte é o caminho para diminuirmos nossas desigualdades históricas. Nela estão - ou deveriam estar - as oportunidades e perspectivas de futuro para os jovens brasileiros, filhos dos trabalhadores, que merecem um mínimo de respeito. Afinal, a educação é um direito universal neste país, independente das prioridades dos gestores que temos.
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ ABr

Homenagem a Barros de Castro: a China


Barros de Castro: para entender a inovação
Extraído do site do IEDI: 
Lições de Inovação que Vêm da China
(Homenagem a Antônio Barros de Castro)
Esta é uma singela homenagem a Antônio Barros de Castro, falecido ontem no Rio de Janeiro. Grande historiador e um dos maiores economistas do País, Antônio Barros de Castro foi professor da Unicamp e da UFRJ e presidiu o BNDES. Dedicava-se ultimamente com grande afinco e paixão ao estudo da China, preocupado como era com o futuro da economia mundial e com as possibilidades brasileiras de ampliar seu desenvolvimento. Antônio Castro em diversas ocasiões esteve muito próximo do IEDI. Escreveu textos, colaborou com as propostas de política industrial e tecnológica do Instituto e foi membro do Fórum IEDI em companhia de outros grandes economistas que discutiam o presente e o futuro da indústria no Brasil e no mundo.
Esta Análise traz um resumo de um estudo que o IEDI está ultimando e que em breve será publicado sobre as políticas de inovação na China, um dos temas prediletos de Antonio Barros de Castro. O Instituto pretende oferecer ao governo e à sociedade brasileira um exemplo de grande determinação e esforço de ampliação de avanço tecnológico e de inovação empresarial.
Desde 1978 quando iniciou sua reforma econômica, a China vem reduzindo rapidamente sua distância em relação aos países de economia avançada. O sucesso da estratégia chinesa de catching-up se expressa em diversos indicadores. Em 2010, por exemplo, a China, que em termos do produto interno bruto (PIB) em paridade do poder de compra já ocupava o segundo lugar desde 2001 atrás apenas dos Estados Unidos, tornou-se também a segunda maior economia mundial em termos do PIB em dólar corrente.
Em ciência, tecnologia e inovação (C, T & I), a ascensão da China tem sido especialmente impressionante. Desde 1999, os investimentos chineses em pesquisa e desenvolvimento (P&D) crescem em média 20% por ano, tendo alcançado 1,44% do PIB em 2007, convergindo rapidamente para a média de 2,1% do grupo dos principais países avançados. A meta é elevar as despesas com P&D para 2,5% do PIB em 2020. A emergência da China como potência em tecnologia e inovação é o objeto do presente estudo.
A China registra um notável desempenho na solicitação de patentes no exterior, indicador da aplicação do conhecimento científico. O número de patentes de invenções obtidas junto ao escritório americano de patentes e marcas (USPTO, na sigla em inglês) atingiu 2.657 em 2010 (90 em 1999). Já o número de solicitações chinesas de patentes internacionais no âmbito do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT, na sigla em inglês), que garante proteção às invenções domésticas em 142 países, mais do que triplicou entre 2006 e 2010, levando a China da oitava para a quarta posição do ranking, ultrapassando a Coreia do Sul, a França, o Reino Unido e a Holanda e reduzindo o diferencial em relação à Alemanha, terceiro lugar do ranking, atrás dos Estados Unidos e do Japão.
Embora os Estados Unidos e o Japão permaneçam como os países-líderes em ciência, tecnologia e inovação (C, T & I), a China se tornou em 2008 o segundo maior produtor mundial de conhecimento científico, expresso no número de artigos publicados, após revisão crítica, em revistas científicas, atrás apenas dos Estados Unidos. Mantido na atual trajetória, o avanço chinês na produção científica mundial deverá levar o país à primeira posição em meados da presente década. Em algumas áreas do conhecimento, como química e nanotecnologia, a China já alcançou reconhecida excelência.
O sucesso da convergência tecnológica chinesa frente aos países avançados repousa na visão estratégica de longo prazo do governo, que vem, desde a década de 1980, elaborando sucessivos planos de desenvolvimento cientifico e tecnológico. Nesses planos, a prioridade conferida à ciência e inovação tem sido coerentemente articulada com outros aspectos da política industrial, tais como formação de recursos humanos, estratégias setoriais, propriedade intelectual, uso seletivo do investimento estrangeiro direto.
Além da rápida e sistemática absorção de conhecimento estrangeiro, a China investiu pesadamente em capital humano, promovendo todos os níveis educacionais do país, bem como educação e treinamento no exterior, e na construção da infraestrutura de ciência e tecnologia. Desde meados de 1990, foram criados mais de 100 laboratórios nacionais em áreas selecionadas de pesquisa básica e inúmeros parques científicos e tecnológicos.
Na China, onde muitos membros do Conselho de Estado – a mais alta instância do governo – são cientistas e engenheiros experientes, o progresso científico e tecnológico é entendido como o principal meio de obter ganhos substanciais de produtividade e de promover o desenvolvimento econômico e social, de forma coordenada e sustentável. Essa visão está claramente explicitada no Programa Nacional de Médio e Longo Prazo para o Desenvolvimento Ciência e Tecnologia (MLP, na sigla em inglês), anunciado em 2006, que pretende transformar a China em uma economia orientada à inovação até o ano de 2020, de modo a garantir a manutenção do crescimento em um patamar elevado e assegurar a coesão social interna. Os princípios norteadores dos esforços chineses nesse período de
quinze anos são:
Inovação nativa: fomento à inovação original própria, à inovação integrada (novos usos para tecnologias existentes) e à re-inovação (absorção e aperfeiçoamento de tecnologias importadas), em ordem de melhorar a capacidade de inovação nacional;
Saltos tecnológicos (“leapfrogging”) em áreas prioritárias: selecionar e concentrar esforços em áreas-chave, de força e vantagem relativa, vinculadas à economia nacional e à subsistência da população, bem como à segurança nacional;
Promoção do desenvolvimento: viabilizar tecnologias-chave que são urgentemente necessárias para o desenvolvimento econômico e social sustentável e coordenado;
Liderar o futuro: utilizar pesquisas básicas e tecnologias de ponta para criar novas demandas e novas indústrias, as quais irão impulsionar o futuro crescimento econômico e desenvolvimento social.
Os principais objetivos do MLP são: reduzir a dependência da China de tecnologia estrangeira para menos de 30% até 2020; ampliar o gasto doméstico bruto com P&D de 2,0% do PIB em 2010 para 2,5% em 2020; elevar a contribuição das atividades de C, T & I a 60% do crescimento do PIB; posicionar a China entre os cinco principais países do mundo em número de patentes domésticos e em citação internacional de artigos científicos. São inúmeras as evidências de que a China vem realizando progressos significativos em direção as metas definidas no MLP.
A emergência da China como potência científica e tecnológica representa um sério desafio para os países avançados, que já enfrentam a crescente concorrência chinesa em diferentes áreas, e deve servir de inspiração para outros países em desenvolvimento. Porém, é preciso ressaltar que o avanço chinês ainda está longe de implicar no declínio dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido e outros. Embora estejam perdendo participação em termo de investimento e desempenho na atividade global de P&D, a produção científica e tecnológica desses países segue crescendo em termos absolutos a partir de uma base já elevada.

Numa pequena nota, um grande erro de informação

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Marta e Haddad
Já que falei sobre a coluna de ontem do jornalista Elio Gaspari (leiam o post abaixo Os equívocos de um jornalista sobre a reforma política), há mais uma dele - mais uma correção a fazer. Na parte de notas, numa delas, pequena, o jornalista afirma que, na eleição municipal de 2012, eu e o ex-presidente Lula estamos em lados opostos em São Paulo.
Ele escreve que o ex-presidente quer eleger prefeito o ministro da Educação, Fernando Haddad e que eu trabalho pela candidatura da senadora Marta Suplicy (PT-SP). Não é por aí. No momento, o meu trabalho político está centrado na unidade do partido. O que Elio fala vem em outra etapa.
Gaspari está mal informado sobre minha posição na escolha do candidato (a) a prefeito (a) de São Paulo. Podia, antes de escrever, ouvir o outro lado como mandam as velhas e boas normas e práticas jornalísticas, ainda que um tanto quanto em desuso no Brasil. Poderia ter me telefonado.
Ou será que isso está normal, e não ouvir o outro lado ficou acima dos manuais de redação e da ética jornalistica? É certo que ela está um tanto desmoralizada em tempos de Rupert Murdoch, o milionário australiano que recheou suas redações inglesas de verdadeiros "espiões", jornalistas que com grampos telefônicos bisbilhotavam a vida de todo mundo.
Foto: Elisabete Alves/ Marta Suplicy.

INCRA não age sobre invasão da Cutrale. MST age


 Extraído do site do MST: 
MST ocupa área grilada da Cutrale em Iaras e cobra criação de assentamento pelo Incra
Cerca de 400 integrantes do MST ocupam desde as 6h, desta segunda-feira (22/8), a Fazenda Santo Henrique, de 2,6 mil hectares, no município de Iaras, na região de Bauru.
A ocupação realizada no município de Iaras reivindica a arrecadação da área para fins de Reforma Agrária e denuncia a indevida e criminosa utilização da área pela empresa Cutrale.
A área utilizada pela Cutrale tem origem pública e, de acordo com a lei, deve ser destinada à Reforma Agrária.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tem estudos que comprovam que a área é devoluta e disputa na Justiça a posse da Fazenda Santo Henrique.
O processo tramita na 1ª Vara da Justiça Federal de Ourinhos desde agosto de 2006 . A fazenda faz parte do Grupo Colonial Monção, um conjunto de fazendas comprado pela União em 1909 para projeto de colonização de mais de 100 anos. Juntas, somavam cerca de 40 mil hectares abrangendo terras em Agudos, Lençóis Paulista, Borebi, Iaras e Águas de Santa Bárbara.
Em negociação com o órgão federal, a Cutrale admitiu que a área não é regular e fez o compromisso de repassar uma área para o assentamento das famílias acampadas na região. No entanto, a empresa não cumpriu e o Incra até agora não tomou nenhuma atitude.
Em 2009,o então superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires Silva, afirmou que a fazenda “é um patrimônio público, pertence ao povo”.
A Cutrale, desde a década de 1980, está envolvida em crimes contra o trabalho e a economia brasileira, sempre se utilizando da ausência e da complacência do Estado.
A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, que acontece a partir de hoje em vários estados onde o MST está organizado e também em Brasília
O Movimento participa do Acampamento Nacional da Via Campesina, com o objetivo de pressionar o governo frente à paralisia no atendimento da pauta dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais.
Como se sabe, a polícia do Padim Pade Cerra agiu conforme os interesses da Cutrale, sabidamente invasora da área.
Cerra mandou prender os ocupantes.
Ele não erra: está sempre do outro lado da cerca.
Ele não tem bandeira.
Só o mastro.
Paulo Henrique Amorim

Os equívocos de um jornalista sobre a reforma política

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Colunista de alguns dos principais jornais do país - O Globo, Folha de S.Paulo - com colunas publicadas às 4ªs feiras e aos domingos, Elio Gaspari há meses vem criticando as propostas de reforma política. Nem sempre tem razão.
Não tem, por exemplo, ao afirmar em sua colunca de ontem que a matéria tramita quase em segredo. Não é fato. Quem mantém a matéria quase secreta é a mídia, jornalista Elio Gaspari! A reforma política tem sido discutida como todas as outras questões, de forma transparente e pública na Câmara.
Como foi por duas vezes nos últimos anos no Senado, que aprovou, em ambas, suas próprias e principais propostas, entre elas o fim das coligações proporcionais (como, aliás, defende Gaspari).
Não há golpe algum na reforma política
Nas proposições e tramitação da reforma política não há golpe algum, nem como estabelecer paralelo com a ditadura, como bem sabe o jornalista, que desfrutou da amizade do general ditador Ernesto Geisel e teve acesso exclusivo a arquivos do regime, escrevendo uma obra clássica sobre ele, a trilogia A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Encurralada.
Na reforma política não tem nenhum Pacote de Abril (Geisel fechou o Congresso e passou a legislar sozinho) e nada será  aprovado contra a Constituição. Aliás, aí, reside outro equívoco na exposição do jornalista em seu artigo de ontem.
A Constituição exige 2/3 de votos apenas para sua própria reforma, como o fim do voto obrigatório ou do voto proporcional e não para o voto em lista ou o financiamento público de campanhas eleitorais, matérias típicas da legislação ordinária.
Financiamento privado e voto uninominal, irmãos do abuso
A base do nosso atual sistema eleitoral é o financiamento privado de campanha - das empresas majoritariamente - e o voto uninominal, que são siameses e irmãos da corrupção e do uso e abuso do poder econômico.
O financiamento público e o voto proporcional misto são as saídas mais democráticas e constitucionais para a crise que vivemos de um modelo falido e único no mundo. Uma jabuticaba que Elio Gaspari defende sem apresentar alternativas.

Campos, o sucessor de Dilma

Campos sepulta a polarização da Casa Grande e da senzala Amigo navegante Adelmo chama a atenção para a entrevista com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no Canal Livre, que a Band reexibiu neste domingo. Este Conversa Afiada já tinha ressaltado que para Campos a faxina não é problema, mas solução. Agora, com a íntegra da entrevista, é possível observar também: - Pernambuco instalou um sistema de avaliação dos alunos de escolas públicas mais rigoroso que o do Ministério da Educação; - Pernambuco antecipou as metas de Educação para 2021; - Eduardo Campos fala de uma reindustrialização de Pernambuco, a começar pelo complexo portuário e industrial de Suape – clique aqui para ler: “Suape faz uma revolução em Pernambuco e Campos dá de 10 a 0 no Cerra”; - no campo da Saúde, com a ajuda do vice-governador João Lyra Filho, Campos tem feito um trabalho de democratização do acesso à Saúde e aprofundamento dos critérios de qualidade; Se o PiG (*) não fosse o PiG (*), o Sudeste, especialmente São Paulo, já teriam percebido que Eduardo Campos será o sucessor de Dilma em 2018. (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Uma enorme perda para a nação

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Antônio Barros de Castro
Uma fatalidade - o desabamento da laje da casa em que morava - fez o país perder neste domingo Antônio Barros de Castro um de nossos mais importantes economistas e defensores da indústria brasileira. Barros de Castro, que faleceu aos 73 anos, está sendo velado hoje, na capela do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Urca.
Sua morte é uma grande lacuna para o Brasil e para o momento que vivemos. Acadêmico e intelectual orgânico, Barros de Castro atuou na política e exerceu com excelência cargos públicos. Foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre outubro de 1992 e março de 1993, durante o governo Itamar Franco.
Entre 2005 e 2007, esteve na direção de Planejamento do banco. Foi consultor especial do ministro da Fazenda, Guido Mantega e, também, do Conselho Empresarial Brasil-China.
Barros de Castro pensava o Brasil
Ele pode ser considerado um dos mentores da nossa doutrina desenvolvimentista e um dos economistas mais importantes deste país, sempre em defesa da nossa indústria e das oportunidades produtivas do Brasil. Professor Emérito do Instituto de Economia da UFRJ, ele não apenas estudou, mas formulou e colocou em prática políticas industriais durante sua gestão no BNDES.
Como bem declarou o atual presidente do banco, o economista Luciano Coutinho, "o professor Barros de Castro foi capaz de conciliar uma brilhante carreira acadêmica, tornando-se uma referência no pensamento econômico brasileiro, com o enfrentamento de grandes desafios como homem público. Ele deixa para todos nós um legado de compromisso com o desenvolvimento do Brasil, e sem dúvida fará muita falta ao nosso país".
Barros de Castro merece a homenagem de todos os brasileiros.  Aos seus familiares e amigos, toda nossa solidariedade neste momento de dor.Foto: BNDES.

Segundo o japona, o sucuzinho de Kassab é bom

Kassab dá uma de animador de auditório e acaba constrangido

O Brasil e a crise segundo Delfim e Belluzzo

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Delfim Netto
Vale a pena ler. Recomendo o debate entre o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto e o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, reproduzido na edição especial de aniversário da Carta Capital, esta semana. A análise que os dois mestres fazem da crise econômica internacional e de seus impactos no Brasil é ácida e cristalina, além de muito bem-humorada.
Delfim não titubeia em criticar, por exemplo, as “teratológicas” taxas de juros brasileiras – baseadas numa Selic de 12,5% - no cenário atual. “Não há razão para o Brasil não ter uma taxa real de juros de 2,5% ao ano. Essas versões de que a taxa (de juros) de equilíbrio é 7% ou 8% é pura masturbação intelectual”, afirma.
O ex-ministro lembra que atual política de juros teve origem num momento de grande dificuldade vivido pelo país, quando se passou a financiar a dívida pública inteira em 24 horas. Em contraste, lembra que hoje 80% da dívida financiada pela Selic, um papel de 4 ou 5 anos, vencerá no governo Dilma. “Não podemos desperdiçar a chance (para se mudar o mecanismo de financiamento). Estamos nos aproximando de um instante no qual se pode tomar medidas muito mais fortes para se reduzir o juro e é preciso coragem política”, recomenda.
Proteção à indústria nacional
Os dois contendores lembram que é preciso usar a política cambial para o país ir além do modelo agro-exportador. “Temos de usar a política cambial para proteger a indústria e garantir o seu desenvolvimento”, diz Belluzzo. Eles apontam que, ainda que o modelo agroexportador seja fundamental para prover o Brasil de recursos em moedas estrangeiras, a meta do país deve ser o desenvolvimento do seu mercado interno.  E, neste caso, Belluzzo propõe: “Temos de subir a participação do investimento público. No fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, a participação do investimento público em relação ao PIB era de 11%”.
Em que pese suas dificuldades, o Brasil tem apresentado uma política econômica “bastante razoável”, na visão de Delfim. “Acho que o governo tem a clara noção de que estamos em um ambiente hostil e que precisamos providenciar um crescimento nosso”, declara o ex-ministro. Ele ressalta que o país hoje dispõe de recursos, tecnologia e imaginação para isso.
“Miopia norte-americana"
Olhando para fora, a atuação dos Estados Unidos em relação à questão fiscal é descrita sem meias palavras por Belluzzo como o "governo dos idiotas". Ele frisa que o país enfrenta uma questão fiscal. Belluzzo aponta que, na prática, ainda que as soluções econômicas para este e outros casos não sejam tão difíceis de se imaginar, as questões políticas simplesmente bloqueiam a execução. “No caso americano isso é obvio”, frisa. Para o professor, a questão refere-se mais à descoordenação política e à miopia do que propriamente à condução econômica.
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Luiz Gonzaga Belluzzo
Delfim segue na mesma direção. Ressalta que o país introduziu uma disfuncionalidade no sistema, com a qual não sabe mais como agir. “Não adianta (os EUA) darem incentivos (à economia), que são necessários, mas insuficientes, se o sujeito que recebe os incentivos não acredita neles”, argumenta. Para o ex-ministro, na base da crise norte-americana há uma questão de confiança. “O pessoal da produção não acredita que terá demanda lá na frente. E o pessoal do trabalho não se vê empregado no futuro. Nestes casos, o sujeito recebe um benefício e senta sobre ele, que é o que se passa neste momento”, diz. Cita como exemplo o fato de as empresas norte- americanas contarem com um trilhão e meio de dólares em caixa e não investirem.
A matéria com os dois mestres estende-se por quatro páginas de análises e comentários críticos. A íntegra, no entanto, só pode ser lida na edição impressa da revista. Não deixe passar em branco.Fotos: Arquivo do Blog e Wikipédia.

A INCOERÊNCIA DE ÁLVARO DIAS

O tucano Álvaro Dias é um caso curioso de política que se faz com o fígado. Ouví-lo falar no dia de hoje na rádio BandNews em Curitiba foi um exercício de paciência.
Quando FHC deu uma entrevista à BBC inglesa, pegou pela frente um jornalista independente. Naquela situação, quando ele desandava a falar suas tonterías dizendo que era santo e Lula era o próprio capeta, não raramente o entrevistador lhe interrompia e falava "ok, mas não tinha corrupção no governo do senhor? O senhor também não foi tolerante com a corrupção?". O jornalista dava até detalhes aqueles cujos quais, a mídia brasileira jamais levantava. Tivemos que ouvir uma entrevista feita na Europa pra saber o que aconteceu no Brasil na época de "ouro" da privataria e da corrupção tucana.
Mas isso é coisa de jornalismo inglês. Aqui no Brasil e notadamente em Curitiba a imprensa não se presta a colocar contra a parede um modelo que por ela é apoioado. A imprensa da suporte à direita e aos políticos da direita. A imprensa exige e dá resguardo a quem vende o país, especialmente se esta venda foi lesiva ao povo, porque assim é sabido, que ela e seus comparsas e amigos ganham  muito mais. O motivo é o óbvio. O dinheiro no Brasil é um só. Se ele está na mão de uns, não poderá estar na mão de outros. Um corpo não ocupa dois lugares ao mesmo tempo é a lógica inamovível da física.
Então Álvaro usou o microfone da rádio para ripar impiedosamente o governo Federal. Trabalho dele, ok. É pra isso que ele é eleito pelos que o apoiam, para ser oposição. Interessante era ouvir a entrevistadora não o enfrentando e fazendo com que ele tivesse que explicar a corrupção do governo que ele apoiou e a as CPIs que seu partido impedia, dando gordas somas de dinheiro aos parlamentares. Na pior das hipóteses, do mesmo jeito que é feito atualmente. Mas nossa mídia não quer informar, ela quer conduzir. 
Em uma coisa porém, Álvaro foi coerente. Disse que seu partido no Paraná é uma desgraça, que suborna (não usou essas palavras) políticos para obter apoio. Deixou muito subentendido que Beto Richa é seu inimigo e que se ele puder, não o apóia. Daí abriu uma dissidência no pensamento midiático porque é sabido até pelas "pedras do centro cívico" (como fala a entrevistadora) que a mídia é tucana e falar mal do PSDB, mesmo por um tucano, não é uma boa idéia.
O resumo da ópera é que Álvaro, claro, apesar de dizer o contrário, foi parcial. Defende CPI nacional pra investigar a corrupção, mas nem a menciona quando o assunto é o desvio grosseiro de dinheiro público em Curitiba pelo seu próprio partido. Aqui,ele diz que o Ministério Público é suficiente pra investigar. No plano federal, o MP não serve pra nada porque ora bolas, nada como uma boa CPI pra fazer carnaval.
É que Álvaro tem uma certa fidelidade partidária. Ele não quer comprometer a tucanagem mesmo dizendo nas entrelinhas que o governo de Beto Richa e da Prefeitura de Curitiba (atrelada a Beto) são corruptos até os ossos. 
Falta coerência ao querido Senador pelo Paraná, mesmo ele dizendo que é coerente. Em política, sabemos que falar não basta, tem que fazer. Seu partido e o modelo de governo que ele apóia venderam o Brasil de uma forma grosseira e irresponsável, mas Álvaro assume um quê de PSTU e vem na imprensa dizendo que é preciso "mudar tudo o que está aí". Diz que o país está na "m", mas "esquece"  curiosamente como estava quando ele era governo. É uma "m" onde há pleno emprego e ocupa o posto de sétima economia mundial. Bem diferente dos 25% de desempregados nas regiões metropolitanas na época de seu governo, e de ser um país cujo Ministro das Relações Exteriores tinha que tirar o sapato para entrar nos EUA, tamanha a submissão daqueles mandatários.
Se embananou também quando falou sobre  sua aposentadoria como ex-governador que Beto, seu inimigo, cancelou. Álvaro incrivelmente disse que devia continuar recebendo para "doar" o dinheiro. Como ele é bonzinho! Ora, Senador, a moralidade serve, como bem notamos, só para alguns, para outros, não, não é mesmo?
Patética a visão tucana do planeta num momento onde até mesmo os liberais do mundo estão revendo suas crenças. Álvaro é mesmo um dinossauro e está em extinção. Não pelo que ele prega e garganteia, que é a tal moralidade e decência, mas sim pelo fato de ter cada vez menos gente disposta a votar em políticos que enfiam o pé na jaca enquanto estão mamando nas tetas, mas ocupam as tribunas com revistas na mão para vociferar denúncias, muitas delas, jamais provadas, quando estão fora da mamata.
Corrupção é um câncer no Brasil mas nunca foi diferente. Cabe ao eleitor exigir que seus políticos tenham vergonha na cara, independente de qual partido esteja ocupando o poder. Álvaro, a maioria da mídia e boa parte dos polítcos insistem em dizer que não.

A moralidade de pé de barro de um novo Carlos Lacerda

blog do zé
Nossa mídia, a exemplo do que fez O Globo no fim de semana (ontem), vem há tempos tentando transformar o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) num novo Carlos Lacerda, na nova reserva moral do Senado, num porta voz da moralidade e da ética.
Como não é bobo e tem teto de vidro - governou Pernambuco por oito anos e lá não deixou nenhum exemplo de ética e moralidade - ele não aceita o título, mas deita falação à vontade sobre esse e outros temas. A começar pela reforma política que seus aliados não aprovam, fato que na entrevista ele deixa de lado. Defende apenas o fim das coligações proporcionais.
Ao mesmo tempo, diz que os presidentes Lula e Dilma Rousseff não querem a reforma política. Ora, é público que o ex-presidente Lula, depois de ouvir a sociedade, ousou enviar uma proposta de reforma política ao Congresso, sim, o que não era nem sua função, mas do Parlamento.
Desmentido pelos fatos
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Campanha pela Reforma Política do PT
O senador pernambucano esconde nessa entrevista que o PT está lutando pela mudança. O partido tem até uma campanha em defesa da reforma na tevê e nas ruas e um de seus relatores, o deputado Henrique Fontana (RS), é do PT e já apresentou um excelente relatório.
Estes são fatos que comprovam, para dizer o mínimo, a insinceridade do senador na entrevista. Mas, ele não para por aí e julga, com todas as letras, que o ex-presidente Lula se considera acima da Constituição , da justiça, do Congresso, o que além de ridículo, é desmentido pelos fatos.
Basta lembrar que o ex-presidente não aceitou um 3º mandato, não reformou a Constituição para impor sua própria reeleição, indicou membros independentes para o Supremo Tribunal Federal (STF) e escolheu sempre o 1º da lista para Procurador-Geral da República, para o Ministério Público Federal (MPF).
O ex-presidente Lula respeitou a justiça, sim, e nunca foi conivente com a corrupção. Já o senador que, repito, governou Pernambuco por 8 anos, quando governador não aceitava CPI no Estado. Daí, talvez, sua posição externada na entrevista contra a da Corrupção.Foto: PT.

O mundo chega e sai de Natal. Que horror !


Daqui para o mundo. E do mundo para o Brasil
Saiu na Folha: 
MARIANA BARBOSA 
DE SÃO PAULO 
O leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal (RN), terminou na manhã desta segunda-feira depois de 87 lances. O vencedor foi o consórcio Inframerica, encabeçado pela Engevix, do Brasil, e a Corporacion América, da Argentina. 
O lance foi de R$ 170 milhões, ágio de 228,82%. O mínimo era de R$ 51,7 milhões. 
Inicialmente, o leilão estava marcado para o dia 19, mas foi adiado. 
O modelo jurídico dessa concessão deverá ser usado para a cessão a investidores de outras unidades já anunciadas pelo governo, entre as quais Guarulhos e Viracopos (SP), Galeão (RJ), Confins (MG) e Brasília (DF). 
Mas cada aeroporto terá de ter seu próprio estudo de viabilidade. 
O novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante vai substituir o atual aeroporto de Natal, que voltará a ser uma base aérea. 
A Infraero e o Exército estão fazendo desde 2008 as obras da pista e do pátio (80% estão realizados e com previsão de término em novembro de 2011), ao custo de R$ 250 milhões. 
O valor mínimo da outorga pagaria apenas 20% do investimento público já feito. 
O vencedor da concessão construirá o terminal de passageiros e vai administrá-lo inteiramente por 25 anos após a obra, prevista para três anos. 
Este aeroporto de São Gonçalo do Amarante tem uma função importante para o Nordeste.
Não é à toa que Pernambuco e o Ceará o queriam.
Ele será, sobretudo, uma zona de exportação e importação, já que se trata do ponto mais próximo da Europa e da África no território brasileiro.
Ele terá capacidade para receber aviões cargueiros de grande porte.
Ele pode ser hub, o ponto de convergência, para receber a produção do país inteiro e distribuir para o país inteiro.
Além de ser um terminal de passageiros que tem que ficar pronto antes da Copa.
A pista de pouso já está pronta.
Este ansioso blogueiro acaba de chegar a Natal e se vê diante de um conjunto de prédios em construção.
Até 2014 também, na BR-101, entre Natal e Parnamirim, serão construídas 10 mil unidades residenciais.
Aqui estão a Cyrella, Rossi, Lopes, MD e Ecosil – o primeiro time brasileiro.
Que horror !
Paulo Henrique Amorim

Anistia Internacional denuncia farsa na Líbia

Mário Augusto Jakobskind
O jornal britânico The Independent publicou relatório da Anistia Internacional inocentando regime de Muammar Khadafi e incriminando os rebeldes que têm o apoio da Otan, responsável pelo bombardeio diário na Líbia. Ou seja, todas as denúncias de violências supostamente cometidas pelas forças do governo Khadafi, amplamente divulgadas pela mídia de mercado, não se sustentam. Entraram no rol do esquema que antecedeu a invasão do Iraque com as tais armas de destruição em massa, que nunca existiram. Serviram para justificar a invasão e posterior ocupação.
E imaginar que as denúncias sobre estupros em massa ordenados pelo regime de Khadafi, emprego de helicópteros e armas proibidas contra a população civil não foram comprovadas pela Anistia Internacional, que já denunciou prisões arbitrárias em vários países, inclusive quando na Líbia, o país norte africano estava sendo aceito pelos países que hoje bombardeiam e matam civis, dá para imaginar como mentem os “justiceiros” do mundo.
Na verdade, a Anistia encontrou indícios de que em várias ocasiões, os rebeldes em Benghazi fizeram deliberadamente declarações falsas e distribuíram versões mentirosas sobre crimes cometidos pelo governo líbio.
A secretária de Estado, Hillary Clinton, que visivelmente faz o jogo do complexo militar baseou todas as suas acusações a Khadafi em “informes” inventados pelos rebeldes, segundo a Anistia Internacional.
A mídia de mercado de todos os quadrantes ajudou, como de outras vezes, a dourar a pílula. Quer dizer, a farsa do Iraque se repete na Líbia. Os bombardeios diários da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que alguns canais de televisão denominam erradamente, por ignorância ou opção ideológica, de Aliança Ocidental, inventaram pretextos para intervir no país norte africano.
É inconcebível que esta prática se repita em todas as áreas do planeta onde há riquezas cobiçadas pelos Estados Unidos e demais países industrializados. E ainda pior: bombardeios inteligentes atingem alvos civis em nome de “intervenção humanitária”.
Espera-se que depois disso, a Organização das Nações Unidas, que deu o sinal verde para as ações contra a Líbia leve em conta o relatório da Anistia Internacional, ao menos o investigue de forma isenta, e mesmo reveja a posição adotada. Se não fizer isso e seguir dando pretexto para os bombardeios, a credibilidade da entidade vai à zero.
Que Barack Obama, Hillary Clinton, David Cameron e Nicolas Sarkozy, entre outros, façam isso, pode-se concluir que estão na verdade defendendo interesses econômicos, mas a ONU dando o aval é realmente desesperador.
O que teriam a dizer neste contexto a Presidenta Dilma Rousseff e seu Ministro do Exterior, Antonio Patriota? Afinal de contas, a Otan, com a chancela da ONU comete sérias violações dos direitos humanos. Ficar calado ou apoiar é na prática aprovar. Até porque, a própria Presidenta brasileira já deixou claro inúmeras vezes que se posicionaria onde se cometam violações dos direitos humanos.
Mas é preciso tomar cuidado para não cair na armadilha estadunidense que bota a boca no trombone apenas contra países que não fazem o jogo da Casa Branca. A Arábia Saudita, governada por uma família real aliada de Washington, que viola diuturnamente os direitos humanos, não é condenada ou sequer citada pelos Estados Unidos, da mesma forma que a entrada de tropas sauditas no Bahrein para reprimir manifestantes é aceita como um fato normal.

Dilma anuncia 1,2 milhão de vagas nas universidades federais

Agência Brasil
“No programa semanal Café com a Presidente, Dilma avaliou o anúncio como um passo importante na terceira fase do Plano de Expansão da Rede Federal de Educação, formada por universidades federais e também por Institutos Federais de Educação Profissional, Ciência e Tecnologia (Ifets).
“Estamos criando condições para formar engenheiros, médicos, agrônomos, professores, dentistas e técnicos das mais diversas especializações, em municípios dos mais diferentes tamanhos, em todas as regiões”, afirmou a presidente.
Dilma lembrou que cidades com mais de 50 mil habitantes foram priorizadas na escolha dos locais para as universidades. Segundo ela, tratam-se de microrregiões onde não existiam unidades da rede federal, sobretudo no interior do país. Também foram considerados municípios com elevado percentual de pobreza e com mais de 80 mil habitantes, mas onde as prefeituras têm dificuldade de investir em educação.
“Antes, para realizar o sonho de ter uma profissão, o jovem tinha que sair de casa, viajar para estudar na capital ou nos grandes centros urbanos. Agora, o ensino universitário, o ensino tecnológico está indo onde o cidadão mora ou nas suas vizinhanças”, explicou.
Para Dilma, um salto na educação brasileira pode contribuir para o enfrentamento da crise econômica que atinge países da União Europeia e Estados Unidos.
“Temos que ter consciência de que estamos vivendo uma situação mundial de muitas turbulências lá fora. Estamos preparados para atravessar esse momento de instabilidade econômica mundial, mas não podemos descuidar. Temos que enfrentar os desafios de hoje sem tirar os olhos do amanhã.”
By: Dilmais

Minha Casa Minha Vida chega ao campo. Bye-bye Cerra 2014 !

Na foto, a casa que vai ficar apenas na lembrança
Saiu no Blog do Nassif: 
Por Homero Pavan Filho 
Minha Casa Minha Vida chega ao campo com R$ 2 bi 
Recursos serão usados para atingir meta inicial de construir 60 mil casas em quatro anos 
A Caixa Econômica Federal mudou a sua estrutura para atender as necessidades do brasileiro que vive no campo e nunca teve acesso a crédito facilitado para a casa própria, como acontece nas cidades. “Historicamente, há programas apenas para trator e chiqueiro, que acabavam sendo muito melhores do que a casa do agricultor”, avalia a superintendente Nacional de Habitação Rural da Caixa, Noemi da Aparecida Lemes. De acordo com Noemi, os R$ 2 bilhões do Orçamento da União e do Fundo de Garantia (FGTS) devem ajudar a mudar esse cenário nos próximos quatro anos. 
A meta é construir 60 mil casas, a maioria para indígenas, extrativistas, quilombolas, pescadores artesanais e agricultores familiares, que ganham até R$ 10 mil por ano. 
A Caixa teve necessidade de alterar a estrutura administrativa, a pedido dos movimentos sociais do campo, pois os métodos de trabalho são diferentes nas cidades. Não é preciso, por exemplo, compra de terreno. No entanto, não é possível usar redes de esgoto semelhantes às urbanas e os problemas de logística e administração são diferentes. 
No campo, é difícil contratar empresas com ganhos de escala, porque as casas são feitas a quilômetros uma das outras. Isso implica soluções de construção diferentes de erguer prédios. Ao invés de empreiteiras, a Caixa tem de se relacionar com o público por meio de contratos coletivos com entidades civis, prefeituras e governos estaduais para projetos de quatro a 50 famílias cada. 
A entidade, que pode também ser uma cooperativa de produção ou associação de moradores, apresenta os projetos de engenharia e financeiros. Ela deve ter capacidade de tocar a obra e contratar os profissionais necessários. Uma das novidades do Minha Casa Minha Vida 2 é que o projeto todo será financiado. A primeira versão pagava parte e a entidade (governamental ou não) tinha de dar uma contrapartida, o que obrigava que estivessem capitalizadas para tomar o crédito. 
As casas devem ter o padrão mínimo, com garantia de acesso a água de boa qualidade e tratamento do esgoto. A Caixa está aberta para projetos que envolvam tecnologias sociais.“Todos os projetos arquitetônicos com modos de construção alternativos serão analisados e, se tiverem qualidade, serão contratados”, informa Noemi. O Minha Casa Minha Vida incorpora tecnologias sociais, como o aquecimento solar para chuveiros. 
Famílias em extrema pobreza pagarão valor simbólico 
Das 12 mil casas que já foram contratadas pelo Minha Casa Minha Vida 2, cerca de 11 mil são para o público que vive na pobreza extrema, abaixo de R$ 10 mil anuais. Essas famílias terão de pagar um valor simbólico pela melhoria, de 4% do total investido em quatro parcelas anuais de 1% a serem pagas nas datas de aniversário da conclusão da obra. 
Para as faixas de maior renda, é feito um crédito imobiliário mais parecido com o oferecido para os moradores da cidade, com a diferença que os pagamentos serão semestrais. A faixa intermediária de renda atualmente vai de R$ 10 mil anuais a R$ 22 mil anuais e a terceira, acima deste teto. No entanto, esses valores devem ser redefinidos este mês. Os recursos e o projeto são tomados coletivamente pelo governo local ou entidade civil, mas o pagamento das parcelas do financiamento fica por conta das famílias individualmente. 

O “dinheirinho” do aluguel, no petróleo, são bilhões


Hoje saiu a notícia de que está a caminho do Brasil a primeira das três plataformas que a petroleira OGX, do empresário Eike Batista, afretou para a produção de petróleo na Bacia de Campos. É este navio que você vê na foto.
Na notícia, há uma informação que jogar ao mar a história de que “tanto faz” quem tire petróleo, desde que siga as normas de pagar os royalties e participações previstos na lei.
E que mostra como é relevante para o país que haja uma política de exploração que alimente toda a cadeia produtiva que o petróleo pode mobilizar.
Qual é a informação? É o preço que se vai pagar por esta plataforma, do tipo FPSO, um navio que recolhe e armazena o petróleo extraído.
Quanto custa o fretamento? A bagatela de 263 mil dólares por dia. Por dia, isso mesmo. Ou US$ 7,9 milhões por mês, ou ainda US$ 94,6 milhões por ano. Agora, considere que os prazos de afretamento são longos, em torno de dez anos e verá como se vai embora US$ 1 bilhão num negócio destes. Por uma plataforma só, das mais de 50 que a exploração de petróleo vai mobilizar até o fim da década.
O Eike Batista, que bobo não é, sabe disso e está fazendo um estaleiro, em parceria com a coreana Hyundai para produzir plataformas aqui.
É caro? É. É demorado? É. Exige investimento alto e redução temporária do lucro? Exige.
Porém, como Eike Batista gosta de ganhar dinheiro – e muito dinheiro -  vai fazer suas plataformas e vender outras para quem quiser comprar. Ele próprio disse outro dia que seus ativos são “à prova de trouxas” e que está menos preocupado em ganhar um hoje do que dois, amanhã.
Agora, meu caro leitor, procure aí no Google uma notícia de que a Shell, ou a Chevron, ou qualquer outra petroleira estrangeira aquinhoada com áreas de exploração de petróleo na costa brasileira esteja construindo aqui alguma plataforma.
Ontem mesmo a gente postou aqui a informação de que uma “petroleira nacional” – nacional, coisa nenhuma, toda montada com dinheiro de fundos estrangeiros – é apenas um escritório de negócios local, porque não se extrai petróleo com 17 funcionários, não é?
Mas não é porque eles sejam trouxas, não. Ao contrário, os experts são espertos. O negócio deles não é investir, é mandar lucro, gordo e rápido, para suas matrizes.
Atingir as metas de conteúdo nacional não é uma tarefa simples nem barata. A própria Petrobras algumas vezes, num ou noutro equipamento ou instalação tem dificuldade de fazê-lo por falta de capacidade dos fornecedores de cumprir prazos e especificações, mesmo com todo o apoio que a estatal lhes dá.
É assim mesmo, porque o que a gente chama de “curva de aprendizado” num setor que estava parado e sucateado como a indústria naval e engatinhando, como a indústria de equipamentos petroleiros, precisa de tempo e de encomendas para se tornar competitiva.
Isso custa um pouco mais. Mas muito, muito menos do que, como você viu, teríamos de mandar para fora, todos os dias, afretando equipamento estrangeiro.
Para aquelas pessoas que acham que é mais rápido, mais barato e mais eficiente comprar navios e equipamentos lá fora falta uma parcela na conta.
Uma pequena, insignificante, desprezível parcela: o interesse pelo Brasil.
Por: Fernando Brito
By: Projeto Nacional

Estadão “crava” a espada em Dilma

O Conversa Afiada reproduz post de Rodrigo Vianna, no Escrevinhador: 
“Estadão” crava a espada em Dilma 
por Rodrigo Vianna 
A foto está na página A-7, na edição impressa do Estadão. Dilma surge levemente arqueada, e a espada de um cadete parece trespassar o corpo da presidenta. Abaixo da foto, o título “Honras Militares” – e um texto anódino, sobre a participação de Dilma numa cerimônia militar. 
Faço a descrição minuciosa da foto porque a princípio só contava com uma reprodução de má qualidade (tive que fotografar a página do jornal com uma máquina amadora). Mas um amigo acaba de me mandar a imagem por email – e essa está um pouco mais nítida. Estranhamente, não encontro a foto no site do Estadão. Talvez apareça naquela versão digital para assinantes… 
O editor deve ter achado genial mostrar a presidenta como se estivese sendo golpeada pelas costas. É a chamada metáfora de imagem. Mas, expliquem-me: qual a metáfora nesse caso? O que a foto tinha a ver com a solenidade de que fala o jornal? Há, no meio militar, quem queira golpear Dilma pelas costas? O jornal sabe e não vai dizer? 
Ou, quem sabe, a turma do “Estadão” tenha achado graça em “brincar” com a imagem. No mínimo, um tremendo mau gosto com uma mulher que já passou por tortura na mão de militares, e hoje é a presidenta de todos os brasileiros. 
Sintomático que a foto não apareça ao lado da mesma notícia na edição digital. Alguém deve ter pensado melhor e concluído: não vai pegar bem. 
Por isso tudo, sou levado a pensar que Freud talvez explique a escolha da foto: a mão militar, na imagem, cumpre a função de eliminar a presidenta. E, com isso, talvez agrade a certa parcela dos leitores do jornal. Passeando pelo site do Estadão, é comum ver a presidenta chamada de “terrorista”. Exemplo, aqui: 
Walter BenedetteComentado em: Dilma participa de solenidade em escola de oficiais  
A Dilminha tá fazendo certinho, adulando um pouco os milicos, ai eles se derretem todos e se dobram ficando de quatro para a ex-terrorista. 
Volto eu. Para essa gente, terroristas não foram os que mataram, torturaram e impediram o país de viver em regime democrático. Não. Para eles, “terroristas” são os que lutaram contra a ditadura. 
A foto da página A-7  cumpre o papel de agradar essa gente. 
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